LINGUAGEM APOCALÍPTICA COMO ENRIQUECEDORA DE SENTIDO EM HEBREUS 6.4-8.

1 INTRODUÇÃO
Tão logo a tinta secou, o texto de Hebreus 6.4-8 já provocava divergências na comunidade cristã. Tertuliano (c. 155-220) foi um dos primeiros a provocar polêmica. Em sua crítica a “O Pastor” de Hermas, usou essa passagem para corroborar a tese de que não podia haver perdão ou restauração para os cristãos que cometessem certos pecados pós-batismais.
Como sabemos, os anos passaram e o texto ainda não perdeu seu status de polêmico. A despeito de reconhecermos que tal estigma não será eliminado repentinamente, espera-se que, de alguma maneira, esse artigo possa ajudar no entendimento da passagem em questão.
O ensaio propõe que o entendimento dos vv. 7-8 pode ser enriquecido quando entendemos sua relação com a literatura apocalíptica. Nosso propósito não é determinar o agente influenciador, mas simplesmente reconhecer uma identidade comum quanto à linguagem e perspectiva apocalíptica. Perspectiva essa compartilhada em muitos outros textos do Novo Testamento que não se enquadram necessariamente no gênero apocalíptico (e.g., Mateus, 2 Pedro).
2 GÊNERO E LINGUAGEM APOCALÍPTICA.
Antes de estabelecermos qualquer relação entre Hebreus e a Literatura apocalíptica, precisamos, antes de tudo, entender o material que estamos lidando. Primeiramente, não há dúvidas da atmosfera judaica do livro de Hebreus. Tanto os temas desenvolvidos quanto o uso do AT corroboram a tese de que os primeiros leitores do documento, se não eram judeus em sua totalidade, tinham uma forte relação com o judaísmo. A questão, porém, não é tão simples. Saber que o público alvo (ou tema principal) de um determinado documento é judeu (ou judaico) não nos revela que tipo de judaísmo que está jogo.
Há quem defenda que os leitores de Hebreus são membros da seita do Mar Morto[1]. Outros diriam que são judeus influenciados pela cultura grega (helenistas). Sobre tal influência, isso fica evidenciado com o uso constante da versão grega do Antigo Testamento.
Sobre a pluralidade dentro do judaísmo é importante ressaltar dois fatos: 1) Mesmo que conhecêssemos mais sobre o inter-relacionamento entre movimentos religiosos como o judaísmo helenista, judaísmo essênio, farisaico ou outros grupos; nas palavras de David Flusser, “não seria possível cortar o nó górdio”[2]. 2) A questão é que, mesmo que se trate se judeus helenistas, tal fato não eliminaria tudo de outra corrente judaica. O mesmo pode-se dizer de outras correntes do judaísmo. Se há diferença, há igualmente semelhanças. Boa parte dessa semelhança é explicada pelo uso de material comum – o Antigo Testamento.
Pensando ainda no judaísmo do livro de Hebreus, não podemos esquecer que o apocalipcismo não é exclusividade do judaísmo do segundo templo ou essênio, mas dos profetas; ou mais amplamente do Antigo Testamento. Assim, a relação de Hebreus com a literatura apocalíptica não faz necessariamente do documento um produto de um provável movimento apocalipcista de uma determinada corrente judaica. As palavras de Collins são pertinentes nesse ponto: “Tanto os Evangelhos sinóticos quanto Paulo […] são matizados em um grau significativo numa visão de mundo apocalíptica”[3]. Esse ensaio defende que o mesmo pode ser dito de Hebreus 6.7-8.
Neste ponto faz-se necessário uma palavra sobre o gênero apocalíptico:
“[…] um gênero de literatura revelatória com estrutura narrativa, no qual a revelação a um receptor humano é mediada por um ser sobrenatural, desvendando uma realidade transcendente que tanto é temporal, na medida em que vislumbra salvação escatológica, quanto espacial, na medida em que envolve outro mundo, sobrenatural”[4].
Certamente que Hebreus não se encaixa na definição acima. Por outro lado, um apocalipse não é necessariamente o gênero exclusivo numa obra assim classificada, mas encontrado com muitos outros. “A estrutura conceitual indicada pelo gênero, que enfatiza o mundo sobrenatural e o julgamento vindouro, também pode ser encontrada em obras que não são relatos de revelação, e que, portanto, não são apocalipses”[5]. Em suma, podemos ter numa determinada obra uma linguagem apocalíptica sem que essa seja uma representante do gênero apocalíptico. Apocalipse é o gênero literário, e apocalíptica trata-se de uma mentalidade, uma forma de pensar específica, cuja expressão se dá por diversas formas literárias.
Ao usar tais ferramentas, é conveniente lembrar que os antigos escritores apocalípticos não distinguiam rigidamente entre gênero, perspectiva e ideologia, e disso conclui-se que essas categorias devem ser sempre utilizadas com uma grande sensibilidade para com a integridade e complexidade das composições em si mesmas.
3 EXPOSIÇÃO DE 5.11-6.8.
Se entendemos que os vv. 7-8 lidam com condenação escatológica, podemos ligar Hebreus à literatura apocalíptica uma vez que “todos os apocalipses […] envolvem uma escatologia transcendente que visa a retribuição além das fronteiras da história”[6]. O entendimento dos versos em questão é dependente do nosso juízo quanto ao parágrafo 5.11-6.8 Segue a exposição do texto:
3.1 A Problemática.
O grande dilema do interprete nesta passagem é comungar o peso da exortação “é impossível renovar” com o caráter dos indivíduos envolvidos (iluminados, provaram o dom celestial etc.). Como pessoas iluminadas não podem ser renovadas? Em regra, as interpretações têm caminhado em direção ou à ênfase ou desvalorização de um desses dois elementos. Há os que enfraquecem a gravidade da impossibilidade[7] e os que duvidam do caráter dos indivíduos descritos[8]. Grande parte dessa luta se dá por causa da doutrina da segurança eterna do crente. As conclusões sobre a impossibilidade e/ou natureza dos envolvidos afeta nossa perspectiva quanto à natureza dos versos 7-8 e sua possível relação com a linguagem apocalíptica.
3.2 Os Princípios Básicos.
Em 5.11ss o autor chega a uma constatação: devido a inexperiência e/ou infantilidade dos leitores, tornava-se necessário que alguém ensinasse novamente[9] os princípios elementares dos oráculos de Deus. Contudo, o capítulo seguinte é iniciado com uma exortação que visa aparentemente a prática oposta dos que foi considerado antes – deixar os princípios elementares. A pergunta que se levanta é: eles deveriam, ou não, deixar os princípios básicos? O entendimento de qeme,lioj (“base” –ARA; “fundamento” - ARC) é de grande ajuda aqui. Podemos ensinar (dida,skw) várias vezes, mas um “fundamento” (qeme,lioj) não pode ser estabelecido mais de uma vez (pa,lin) por razões óbvias.
Tendo em vista que o autor toma como mister o ensino dos princípios básicos e ao mesmo tempo o abandono deles, não podemos interpretar avfi,hmi (“ponto de parte” – ARA; “deixando” - ARC) como abandono total. O autor é melhor entendido quando compreendemos que seu desejo era que esses irmãos não tivessem suas vidas limitadas ao básico; que tomassem os fundamentos (qeme,lioj) como ponto de partida e não de repouso. O autor passa a descrever os princípios básicos: 1) Arrependimento De Obras Mortas e Fé em Deus[10]. 2) Batismos e Imposição de Mãos[11]. 3) Ressurreição e Juízo eterno.

3.3 O Impossível.
O que realmente é impossível? A sentença grega do verso 4 começa com a conjunção ga,r (“pois” – ARA; “porque” ARC). Reconhece-se que a mesma tem basicamente três funções: explicativa, inferencial ou causal.
O pronome “isso” no verso 3 faz referência ao “ir a perfeição” e/ou ao “deixar os princípios elementares” uma vez que são diferentes perspectivas da mesma verdade. É evidente que Deus quer que isso seja evidenciado na vida dos leitores. O v.3, pois, deve ser entendido como um lembrete de que a maturidade não surge por meios meramente mecânicos. O próprio Deus está envolvido no processo.
O texto parece indicar uma explicação para se deixar os princípios elementares. Em outras palavras, nos vv. 4-6, o autor explana “porque deixar os princípios elementares?”. A resposta à indagação é: “por que é impossível renovar os iluminados outra vez para arrependimento”. Se tomarmos – e devemos, devido ao contexto imediato – o “arrependimento” no mesmo sentido de 6.1 (arrependimento de obras mortas), somos coagidos a reconhecer a impossibilidade dessa renovação. Essa é uma experiência “já posta”, única e fundamental (qeme,lioj).
A impossibilidade é reforçada pela implicação da repetição da obra redentora de Cristo. A impossibilidade de renovação do arrependimento, portanto, está diretamente ligada a impossibilidade de uma “recrucificação” do Senhor Jesus e de uma vergonha repetida. Há coisas que são impossíveis de serem renovadas. Uma vez que caímos não podemos renovar a morte de Cristo e voltar ao arrependimento que marcou nossa entrada no reino (Mt.3.2; 4.17; Mc. 1.15; At. 2.38; 3.19). O desafio do autor, pois, é que aqueles irmãos andem rumo à maturidade. Eles precisavam entender que não podiam viver nos princípios básicos.
Não há, pois, a necessidade de se diminuir a força de avdu,natoj (“impossível” – ARA, ARC) visto que os vv. 4-6 não temos uma exortação, mas uma constatação. Assim, tanto o contexto quanto o uso de avdu,natoj na própria obra não justifica tal procedimento (cf. avdu,naton yeu,sasqai qeo,n [“é impossível que Deus minta” - ARA] em 6.18; avdu,naton ga.r ai=ma tau,rwn kai. tra,gwn avfairei/n a`marti,aj [“é impossível que sangue de touros e bodes remova pecados” - ARA] em 10.4; cwri.j de. pi,stewj avdu,naton euvaresth/sai [“Sem fé é impossível agradar” - ARA] em 11.6). O mesmo pode ser dito sobre a “queda” (parape,sontaj). Não precisamos entender como uma queda final. Mas simplesmente uma referência ao pecado.
3.4 Os Particípios.
Ao explicar a impossibilidade de renovação, o autor descreve o grupo dos “impossibilitados” (vv. 4-6). Tomando somente o fato da impossibilidade da renovação, e não considerando a natureza do arrependimento em questão, muitos expositores não crêem se tratar de crentes autênticos.
O uso de um único artigo antes dos particípios adjetivais nos força a crer que se trata de um só individuo, grupo ou classe que incorpora todas as qualidades apresentadas. Naturalmente não se classificaria um incrédulo com tais adjetivos. Grudem[12] assegura que os particípios de fwti,zw( ge,uomai e me,tocoj [iluminados, provasse e participar] são usados fora do livro de Hebreus referindo-se aos que não tem a salvação. Contudo, não podemos ignorar o uso dos vocábulos na própria epístola. Em 10.32 para fwti,zw, 2.9 para ge,uomai e 3.1, 14; 12.14 para me,tocoj são claramente referidos a crentes. Além disso, o grupo aqui em questão foi renovado. Se tal qualidade (ou conjunto de qualidades) pode ser dada ao um incrédulo precisaríamos de outro artigo.
3.5 A Metáfora da Agricultura e a Literatura Apocalíptica.
Assim como os vv.4-6, os vv. 7-8 também são prefaciados pela conjunção explicativa ga,r. Temos, pois, uma segunda explicação – agora em tom de exortação. Evidentemente que as explicações estão relacionadas com o tema maior “do deixar os princípios elementares” e/ou “a buscar da perfeição”. Se nos versos anteriores o autor revelou a impossibilidade, aqui ele adverte a seus leitores quanto ao futuro daqueles que crescem. Ou, como a terra que recebe água e não produz frutos; antes, espinhos e abrolhos.
Alguns estudiosos tem advogado a idéia de que não temos aqui uma metáfora do julgamento final[13]. É exatamente o entendimento da linguagem que nos une ou nos separa da literatura apocalíptica como fonte de enriquecimento de entendimento.
Fogo como uma figura ligada à condenação escatológica é claramente apocalíptico. Pensando especificamente na literatura apocalíptica canônica que certamente antecede cronologicamente o livro de Hebreus; temos o livro de Daniel. Livros como Isaías[14] e Ezequiel[15] não são apocalipses, embora possuam linguagem e perspectiva apocalíptica. Voltando a Daniel, no capítulo 7, vv. 9-11, o trono do Ancião de Dias era descrito como “chamas de fogo”. Fica claro pelo contexto que se trata de julgamento condenatório escatológico. Ficamos, pois, com pouco material para estabelecer uma comparação enriquecedora de sentido.
Por outro lado, pensando especificamente na literatura apocalíptica não canônica, em Enoque[16] 10.6 temos: “E no grande dia do julgamento lança-o ao fogo”. O contexto trata da destruição da terra no fim dos tempos (consumação) e como escapar. Segundo Enoque, o grande dia do julgamento será marcado pelo fogo. No capítulo 53, começa com uma visão do vale de fogo ardente (53.1). Trata-se do lugar dos poderosos, monarcas bem como de Azazeel e sua hoste. Os grandes anjos Miguel, Gabriel, Rafael e Fanuel lançarão todos eles na fornalha de fogo (53.6). É dia de vingança.
O capítulo 100 faz referência à condenação de criminosos, pecadores, perversos de coração (100.1,2). E declara: “Ai de vós, pecadores, quando afligem e queimam os justos; naquele dia da vigorosa angústia; sereis recompensados de acordo com vossos feitos”. Ninguém ajudará esses condenados. “Em chamas ardentes piores que o fogo sereis queimados” (100.9).
No capítulo 102 novamente a condenação dos ímpios é repetida. Aqui ela é chamada de “terror de fogo” (v.1). O texto diz: “Naqueles dias, quando Ele lançar terror do fogo sobre vós, para onde fugireis, e onde estareis a salvo?”.
O capítulo 106 conta a história do nascimento de Noé. Lameque, pai de Noé, compartilha com seu pai, Matusalém, o diferencial da criança recém-nascida. Ela tem cabelos brancos e seus olhos, como sol, iluminam a casa. Matusalém, por sua vez, procura seu pai Enoque que revela o mistério desse nascimento: A vinda do dilúvio e a salvação de Noé e seus filhos. Enoque revela que mesmo depois do dilúvio a impiedade aumentará. Enoque, então, escreve sobre os “últimos dias” (108.2). Ele afirma que naqueles dias os que praticam o mal serão consumidos. Nas palavras de Enoque: “Eles clamarão e lamentarão na vastidão invisível, e no fogo queimarão” (108.3).
Em Enoque, portanto, boa parte das referências ao fogo são escatológicas-punitivas. Tal informação serve de lembrete ou leva seus leitores ao temor de tal realidade com o fim de perseverança.
Voltando a Hebreus 6.7-8, Oberholtzer entende que a impossibilidade do v.4 é real bem como que os particípios tratam de crentes autênticos. Isso o leva a concluir que os versos 6-7 não podem referir-se a crentes. Em suas próprias palavras: “O julgamento é de crentes verdadeiros e desobedientes pode resultar em disciplina divina nesta vida e a perca de galardões futuros no milênio”[17]. Kau/sij, [“queimada” – ARA,, ARC] portanto, é uma referência ao fogo como um elemento purificador e/ou revelador; não apocalíptico-escatológico.
A eliminação de qualquer perspectiva de julgamento escatológico foi também defendida por deSilva[18]. Ele lê Hebreus através da lente e/ou background hermenêutico da relação patrão-cliente. Assim, a violação dessa relação resulta em desonra e vergonha, nunca condenação eterna. Mathewson[19] entende que temos como background a geração do deserto descrita em Números 14. Isso o leva a implicar que a condenação é eterna e escatológica, mas não se trata se verdadeiros crentes. O caminho parece ser sempre o mesmo: se os vv. 4-6 referem-se a crentes, os seguintes não podem referir-se à condenação e vive-versa.
Rowell, seguindo Oberholtzer, entende que avdo,kimoj (“rejeitada” – ARA, “reprovada” - ARC) no v.8 não tem ligação com salvação, mas com obras ou premiação[20]. Ele cita 1 Coríntios 9.27 como um exemplo. Lá, Paulo faz de tudo para não ser considerado avdo,kimoj. O fogo aqui, pois, seria equivalente ao fogo em 1 Coríntios 3, que por sua vez não é de condenação, mas um instrumento revelador das obras, e por conseguinte, está dentro de um processo de premiação.
Um dos problemas na perspectiva de Oberholtzer é que ela divide perseverança de salvação eterna. A primeira é para os que recebem a herança da promessa ou galardões; o que não é o mesmo que salvação. Isso é estranho quando pensamos especificamente em Hebreus. Para nosso anônimo autor, perseverança não é a marca de uma categoria de crente que são premiados, mas dos crentes autênticos. Em suas próprias palavras: “Porque nos temos tornado participantes de Cristo, se, de fato, guardarmos firme, até ao fim, a confiança que, desde o princípio, tivemos” (Hb. 3:14 – ARA). E mais especificamente: “para que não vos torneis indolentes, mas imitadores daqueles que, pela fé e pela longanimidade, herdam as promessas” (Hb. 6:12 – ARA). A dicotomia salvação/perseverança fica reservada às definições dos compêndios de teologia sistemática.
Em segundo lugar, as colocações de Rowell e Oberholtzer não condizem com a linguagem de maldição que nos remete à aliança sinaítica e a lógica deuteronomista a ela relacionada. O que é claro para o autor de Hebreus é que a aliança em questão para o cristão é a Nova Aliança. No capítulo 10 nos é claramente revelado que a maldição da Nova Aliança não é a morte física, mas fogo, que não é revelador, mas consome os adversários (10.27). É escatológico e punitivo. Assim, a maldição e/ou condenação é esperada a todos que não produzem frutos. Usando as palavras do vv.1-2, para todos que permanecem nos princípios elementares ou não seguem rumo à perfeição.
4 HEBREUS E 4 ESDRAS
Uma vez estabelecida a relação entre Hebreus e a linguagem apocalíptica, podemos buscar paralelos. O texto da literatura apocalíptica judaica mais próximo de Hebreus se encontra no livro de 4 Esdras.
Segue uma introdução-resumo da obra: Após seu chamado, Esdras (também chamado Salatiel) se volta para os gentios devido ao comportamento reprovado do povo judeu. Ele tem uma visão de uma grande multidão no monte Sião. É uma visão de premiação. Cada um recebe uma coroa do Filho de Deus (2.47[21]). Semelhante ao comportamento de João em Apocalipse (ou o contrário), Esdras questiona o anjo quanto à identidade dos corados. O anjo afirma que são os que confessaram o nome de Deus (2.45) e do seu Filho (2.47). Seguem-se sete visões. O julgamento final é descrito na mais longa visão em 6.35-9.25. Em 9.10-12 temos: Quantos não me reconhecem em suas vidas, embora tenham recebido meus benefícios; Quanto a minha lei é desprezada enquanto eles ainda têm liberdade, enquanto uma oportunidade de arrependimento ainda está aberta para eles, esses devem reconhecê-la depois da morte.
Em 4 Esdras 9.29-36 temos a quarta visão:
29: Ó Senhor, tu revelou a si mesmo entre nós, aos nossos pais no deserto, quando saíram do Egito e entraram no deserto inexplorado e infrutífero 30: E falaste: Ouvi-me, ó Israel, e dê atenção às minhas palavras, descendentes de Jacó. 31: Pois eis que eu semeio a minha lei em ti, e serás glorificado através dela para sempre. 32: Mas, apesar de nossos pais tenham recebido a lei, não a guardaram, não observaram seus estatutos; contudo o fruto da tua lei não pereceu, nem poderia, pois era teu; 33: No entanto, os que receberam pereceram, porque não observam o que foi semeado neles. 34: E eis que há um costume de que quando o solo recebe uma semente, ou o mar um navio, ou qualquer prato alimento ou bebida e acontece de que o que foi semeado, o que navega e o que foi colocado são destruídos, 35: eles são destruídos, mas as coisas que os sustentam permanece; contudo conosco as coisas não foram assim. 36: Pois nós os que receberam a lei e pecamos pereceremos, bem como nosso coração que a recebeu.
E em 10.55[22] temos: “Portanto, não temas, e não deixe seu coração ficar aterrorizado; mas vá e veja o esplendor e a grandeza do edifício tanto quanto é possível aos teus olhos vê-lo”.
Seguimos o entendimento de Nongbri sobre 4 Esdras:
Tanto a linguagem de condenação quanto a de conforto estão presentes, porém com uma considerável quantidade de texto que separa os dois. […] Tal não é o caso de Hebreus. Em 6:4-12, o autor imediatamente segue sua linguagem de condenação com linguagem de louvor e exortação. Especificamente, nosso autor expressa confiança na audiência na base de suas ações passadas[23].
Nas passagens consideradas acima temos, como em Hebreus, 1) O fogo como condenação escatológica; 2) A passagem lida com pessoas que tiveram contato com a lei de Deus e usufruíram dos seus benefícios; 3) O objetivo das palavras parecem ser o mesmo – o temor visando a perseverança; 4) Junto com palavras de resultam em temor temos uma palavra de ânimo que segue as palavras de condenação como as de Hebreus 6.9ss. Por essas razões, entendemos em 4 Esdras temos um background para o entendimento de Hebreus 6.7-8. É interessante nesse ponto a ressalva de Collins: “O significado de qualquer obra não é constituído pelas fontes das quais bebe, mas pela maneira que são combinadas”[24].

5 CONCLUSÃO
Findo com algumas implicações extraídas da relação entre Hebreus e a linguagem apocalíptica:
1. Uma vez comprovada a natureza da linguagem apocalíptica em Hebreus, isso pode nos revelar algo sobre seus leitores uma vez que “a compreensão [da apocalíptica] depende da expectativa dos ouvintes ou leitores […] Não pode haver compreensão alguma sem ao menos uma noção implícita de gênero”[25].
2. Em Enoque 102 temos a descrição da condenação dos ímpios. Trata-se de uma palavra dada diretamente aos ímpios ou pecadores, porém com o foco nos justos. O texto claramente é um consolo para os justo diante das dificuldades de uma vida piedosa. Eles não devem desistir da vida virtuosa, pois melhor é morrer em grande sofrimento, com gemido, lamentação e tristeza, mas em retidão, pois os pecadores serão amaldiçoados para sempre; e não haverá paz para eles (cf. 102.5). Enoque mostra que para os observadores normais (sem perspectiva apocalíptica) a morte do ímpio tem o mesmo resultado que a do justo. E tenta corrigir isso através de uma perspectiva escatológica-apocalíptica. O mesmo pode-se dizer do propósito de Hebreus. Aqui as palavras de Johan Konings são pertinentes. Elas nos alertam sobre os efeitos da linguagem apocalíptica e o que a mesma evoca na mente dos seus leitores:
E a evocação de uma imagem da tradição anterior não obtém seu efeito performativo pela exatidão e completeza descritiva, e sim, pela força evocadora, a significação já atuante no ambiente traditivo, mais ou menos como as “citações” cinematográficas de filmes antigos, em outros mais recentes, evocam um conjunto significativo que não precisa ser novamente mostrado por inteiro[26].
3. Pensando ainda em Enoque, especificamente no Livro dos Vigilantes. Ele preocupa-se muito com o julgamento final dos justos e malignos. No capítulo 14 entra em contato com uma “habitação”. Em suas palavras: “Uma chama queimava ao redor dos muros; e seu portal queimava com fogo. Quando eu entrei nesta habitação, ela era quente como fogo e frio como o gelo. Nenhum traço de encanto ou de vida havia lá” (14.12). Sua reação foi de temor e tremor. O comentário de Collins vale ser registrado: “Se a visão é tão grandiosa que mesmo o justo Enoque se abala e treme, muito mais o deverão aqueles que arriscam condenação”[27]. Assim, o sofrimento característico dos leitores desse tipo de literatura deve ser visto a partir dessa perspectiva. Isso claramente expande nosso entendimento de Hebreus.
4. Na literatura apocalíptica também encontramos exortações. Aqui queremos entender a relação entre exortação e apocalíptica. Em primeiro lugar, não há uma direção única. Pensando na condenação descrita em Enoque 102; não há qualquer sinal de exortação para reagir com violência contra os ímpios. Já no Apocalipse das Semanas e no Apocalipse Animal encontramos tendências militantes. Daí a razão de estabelecerem relação entre os autores da obra e a revolta macabeia. No entanto, de uma forma geral a literatura apocalíptica apoiava uma atitude quietista”[28]. Assim, “a natureza das exortações pode variar”[29]. A questão não é somente o problema a ser sanado pela exortação, mas pela perspectiva apocalíptica. Novamente dependemos de Collins:
“Qualquer que seja o problema subjacente, ele é percebido a partir de uma perspectiva distintamente apocalíptica. […] A função da literatura apocalíptica é moldar a percepção imaginativa da situação de alguém e, assim, colocar fundamentos para qualquer curso de ação ao qual ela exorte”[30].
5. A linguagem de ameaça é comum na literatura apocalíptica. Segundo Nongbri, “um dos propósitos principais da linguagem apocalíptica é instilar temor na audiência”[31]. Nongbri entende que esse é o mesmo propósito do autor de Hebreus – “evocar temor”[32] aos seus leitores. “A ameaça é real, e o autor a direciona a crentes reais. Por isso os recentes estudos que tentam aplacar as implicações da linguagem estão equivocados”[33]. A linguagem severa de 6:4-8 é parte do programa de encorajamento que leva seus leitores a reavaliarem o que eles temem[34]. Deste modo, eles perseverarão.
6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
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CALVIN, John. Calvin´s Commentaries. Grand Rapids: Baker Book House, 1979.
CHARLESWORTH, James H. The Old Testament Pseudepigrapha. New York: Doubleday, 1983.
COLLINS, John. Imaginação Apocalíptica. São Paulo: Paulus, 2010.
deSILVA, D. Exchanging Favor for Wrath: Apostasy in Hebrews and Patron-Client Relationships. JBL, 1996, 115.
FLUSSER, David. O Judaísmo e as Origens do Cristianismo. Rio de Janeiro: Imago, 2000.
GRUDEM, W. A. Perseverance of the Saints: A Case Study from Hebrews 6.4-6 and Other Warning Passages in Hebrews. Em SCHREINER, T. R. WARE, B. A. (eds.) The Grace of God, The Bondage of the Will. Grand Rapids: Baker, 1995.
GUTHRIE, Donald. Hebreus: Introdução e Comentário. São Paulo: Vida Nova, 1999.
KONINGS, Johan. O Apocalipse Joanino. Oráula. 2009, 5.9.
MATHEWSON, Reading Heb 6.4-6 in the light of the Old Testament. Westminster Theological Journal. 1999, v. 61.
OBERHOLTZER, Thomas Ken. The Warning Passages in Hebrews — Part 3: The Thorn-Infested Ground in Hebrews 6:4-12. Bibliotheca Sacra 1988, 145.
NONGBRI, Brent. A Touch Of Condemnation In A Word Of Exhortation: Apocalyptic Language And Graeco-Roman Rhetoric In Hebrews 6:4-12. Novum Testamentum. XLV. 3.
ROWELL, J. B. Exposition of Hebrews Six: An Age-Long Battleground. Bibliotheca Sacra. 94
STONE, Michael E. Fourth Ezra: A Commentary on the Book of Fourth Ezra. Minneapolis: Fortress Press, 1990.
WILSON, Edmund. Os Manuscritos do Mar Morto. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

[1] WILSON, Edmund. Os Manuscritos do Mar Morto. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p. 175.
[2] FLUSSER, David. O Judaísmo e as Origens do Cristianismo. Rio de Janeiro: Imago, 2000, p. 17
[3] COLLINS, John. Imaginação Apocalíptica. São Paulo: Paulus, 2010, p.365-6.
[4] Ibid., p. 22.
[5] Ibid., p. 28
[6] Ibid., p.32 [itálico nosso].
[7] Erasmo abandonou a palavra “impossível” por “difícil”. F. F. Bruce entende como impossível ao homem (cf. BRUCE, F. F. The Epistle to the Hebrews. Grand Rapids: Eerdmans, 1990, p. 144).
[8] CALVIN, John. Calvin´s Commentaries. Grand Rapids: Baker Book House, 1979.
[9] A sentido de repetição ganha destaque nesse parágrafo com as palavras pa,lin (5.12; 6.1; 6.6) e avnastauro,w.
[10] Essa mesma terminologia é encontrada posteriormente em 9:14. Lá, a morte está vinculada às obras. Em Tiago, é aplicada à fé (2.14). Guthrie assegura que “em cada caso a morte indica um caso de não funcionamento. Quando a fé está morta, ela não está cumprindo seu propósito verdadeiro” (GUTHRIE, Donald. Hebreus: Introdução e Comentário. São Paulo: Vida Nova, 1999). Como o contexto visa o “deixar” e são denominados de “princípios básicos”, concluímos que o arrependimento e fé mencionados aqui são precisamente aquelas virtudes que marcam o início da fé cristã e não as que devemos renovar diariamente.
[11] A palavra bapti,smoj não é regularmente usada para descrever o batismo cristão. Entretanto, o vocábulo no plural torna-se apropriado tendo em vista não participarmos de um só batismo. Quanto à imposição de mãos, parece trata-se de uma cerimônia envolvendo o novo integrante da comunidade.
[12] GRUDEM, W. A. Perseverance of the Saints: A Case Study from Hebrews 6.4-6 and Other Warning Passages in Hebrews. Em SCHREINER, T. R. WARE, B. A. (eds.) The Grace of God, The Bondage of the Will. Grand Rapids: Baker, 1995, v.1, p. 195.
[13] OBERHOLTZER, Thomas Ken. The Warning Passages in Hebrews — Part 3: The Thorn-Infested Ground in Hebrews 6:4-12. Bibliotheca Sacra 1988, 145, p. 319-28.
[14] Em Ezequiel temos uma palavra de Juízo para Judá com imagens envolvendo uma planta seca que é consumida pelo fogo (19.12).
[15] Em Isaías temos uma referência próxima a que encontramos em Hebreus. Lá temos o julgamento dos Assírios devido a arrogância dos seus reis que atrelavam seu sucesso à suas próprias forças. Isaías afirma que Deus vai acender uma queima que consumirá seus espinheiros e abrolhos (10.17).
[16] Enoque não é uma obra, mas uma coletânea de escritos. Os estudiosos tem dividido sua obra em cinco partes: Livro do Vigilantes (1-36); As Similitudes (37-71); O Livro Astronômico (72-82); o Livro do Sonhos (83-90) e a Epístola de Enoque (91-108). Dentro da Epístola se encontra o Apocalipse das Semanas e dentro do Livro dos Sonhos temos o Apocalipse Animal. Todas as citações de Enoque seguem CHARLESWORTH, James H. The Old Testament Pseudepigrapha. New York: Doubleday, 1983.
[17] OBERHOLTZER, Thomas Ken. The Warning Passages in Hebrews — Part 3: The Thorn-Infested Ground in Hebrews 6:4-12. Bibliotheca Sacra 1988, 145, p. 319.
[18] deSILVA, D. Exchanging Favor for Wrath: Apostasy in Hebrews and Patron-Client Relationships. JBL, 1996, 115, p. 91-116.
[19] MATHEWSON, Reading Heb 6.4-6 in the light of the Old Testament. Westminster Theological Journal. 1999, v. 61.2.
[20] ROWELL, J. B. Exposition of Hebrews Six: An Age-Long Battleground. Bibliotheca Sacra. 94, p. 337.
[21] Todas as referências a 4 Esdras seguirão CHARLESWORTH, James H. The Old Testament Pseudepigrapha. New York: Doubleday, 1983.
[22] Em 10.55-60 é uma perícope que “forma a conclusão e as injunções da quarta visão” (STONE, Michael E. Fourth Ezra: A Commentary on the Book of Fourth Ezra. Minneapolis: Fortress Press, 1990, p. 340.
[23] NONGBRI, Brent. A Touch Of Condemnation In A Word Of Exhortation: Apocalyptic Language And Graeco-Roman Rhetoric In Hebrews 6:4-12. Novum Testamentum. XLV. 3, p. 275.
[24] COLLINS, John. Imaginação Apocalíptica. p. 44.
[25] COLLINS, John. Imaginação Apocalíptica. p. 27.
[26] KONINGS, Johan. O Apocalipse Joanino. Oráula. 2009, 5.9, p. 4.
[27] COLLINS, John. Imaginação Apocalíptica. p. 90-1.
[28] Ibid., p. 394.
[29] Ibid., p. 72.
[30] Ibid., p. 73.
[31] NONGBRI, Brent. A Touch Of Condemnation In A Word Of Exhortation. p. 273.
[32] Ibid., p. 266.
[33] NONGBRI, Brent. A Touch Of Condemnation In A Word Of Exhortation. p. 275.
[34] Ibid., p. 274.

Comentários

  1. Nesse caso se a linguagem de Hebreus é puramente para "infringir temor (apocalptico), o escritor bíblico teria usado de um artifício 'ENGANOSO', não? Já que o fato não aconteceria?
    *Não precisa publicar este comentário.

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  2. Olá Pr. Romulo,

    Como o senhor está? Ótimo texto, ficou bem bacana.
    Um abração aí para o senhor.

    Miguel

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  3. Bem, em primeiro lugar, fiz questão de publicar seu (Poesia da Graça)comentário, pois palavras como essas enriquecem o artigo.

    Bem, a questão colocada na pergunta está diretamente relacionada com o tema maior da segurança da salvação. O que entendo é que nossa salvação é garantida pela obra de Cristo. É nEle que temos nossa segurança. O grande tema levantado por Lutero na Reforma.

    Por outro lado, não podemos divorciar a fé em Cristo das obras que necessariamente a seguem. Tema bem desenvolvido por Tiago. Trata-se da relação entre a justificação e a santificação bem desenvolvidas pelo apóstolo Paulo em Romanos 5 e 6. Lá justificação leva necessariamente à santificação.

    As palavras do autor de Hebreus estão relacionadas às obras ou a santificação. Suas palavras não são falsas. O fato é que se alguém não demonstra frutos, não pode esperar outra coisa senão condenação. Pois, isso revela a verdadeira natureza da fé que tem. Portanto, não se trata de um "artifício enganoso". É real. E devemos temer caso nossa fé seja infrutífera.

    Abração!!!

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  4. Para Miguel:

    Estou bem cara!!!

    Obrigado por ter passado aqui no blog.

    Abração!!!

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  5. Nesse caso voce está ligando a interpretação da passagem ao "caput" Deixando de lado os princípios elementares" e interpretando que a sentença "não podem mais ser iluminados" se deva a "disciplina" (se as pessoas forem crentes) e "condenação" (se as pessoas não forem crentes) como se para essas últimas se fechasse o ciclo da graça para a salvação como aos fariseus por terem blasfemado contra o Espírito Santo e no caso das primeiras há um eterno (enquanto viverem nesse mundo) viver como "tolos" que irão sendo disciplinados, enganados e como num ciclo de pecado e condenação como na história dos hebreus descrita no livro de Juízes e Reis? Perdoe a insistência, mas essa passagem causa a mim dificuldade de interpretação e minha posição é que aquelas pessoas ali são "descrentes" que obtiveram um nível adiantado de revelação e responderam "negativamente" como a geração que morreu no deserto e a própria nação de Israel que mostrou o ápice de sua rebeldia a Deus quando negaram que Jesus seria o Cristo e Messias a despeito de todos os claros sinais que receberam. Assim ficaria o "Deixando os princípios elementares" destinados aos crentes como incentivo de progredirem e a condenação por responder negativamente à revelação aos descrentes . Mas nem isso considero "definitivo".
    Abraços.

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  6. Bem, vamos por parte com Jack o estripador.

    1. Permita ao texto falar. Não se preocupe agora com a sua teologia sistemática. Não tente encaixar o texto nela.

    2. A "impossibilidade" do texto é uma constatação lógica que o autor faz. Vou parafrasear com muita liberdade: "É impossível renovar de novo vocês por que os princípios elementares já foram posto". Em outras palavras, "exatamente por serem elementares eles não podem se repetir". É daí para frente. Lembre-se, o impossível no texto é a renovação dos "princípios básicos". Essa é a lógica da salvação. Não posso ser batizado mais de um vez. É impossível. É básico. Entendendo dessa forma, não temos qualquer conflito com a soteriologia ortodoxa. Trata-se de uma constatação lógica. SÓ.

    3. Os versos 7-8 ampliam a idéia exposta nos versos anterires acrescentando uma palavra de condenação. Aqui a coisa pode complicar para a soteriologia. Mas, penso que não. Vou parafrasear novamente: "Como quem passa pelos princípio elementares não tem outro caminho que não ir rumo à perfeição, então aqueles que não passam por isso devem esperar condenação". Ou seja, como um bom pastor que prega (Hebreus é uma pregação e não uma epístola convencional) ele está alertando seus leitores-ouvintes para a necessidade de fruto. SÓ. Para mim nenhum problema com a soteriologia. Quem é crente frutifica. Quem não frutifica é condenado. Em Hebreus salvação é o mesmo que perseverar e frutificar.

    3. Nos versos 9ss ele afirma que não é o caso dos seus leitores por que eles tinham demonstrado suas obras. Mas ele deve falar "daquela maneira" para que eles perseverem até o fim. Ou seja, o temor à condenação é um instrumento de perseverança.

    4. Pelas colocações feitas acima não relaciono esse texto com a blasfêmia contra o Espírito Santo. Lá a impossibilidade é de perdão, aqui é de repetição dos princípios elementares. Lá é uma palavra de condenação, aqui é uma constação lógica.

    Valeu cara!!!

    Qualquer dúvida, pode perguntar. Entenda seus questionamentos como um aprofundamento do artigo.

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  7. Agooooooora, sim! Entendi a tua lógica. Eu escrevi a mesma coisa só que na linguagem do "parafuso", quer dizer, TODO ENROLADO!!!!!!!!!! Por isso que não largo o te pé cara mesmo estando longe. Não estou dizendo que assumi o teu ponto de vista, mas que entendi a tua lógica e acho bastante convincente. Vou estudar essa passagem um pouco mais.

    Valeu!!!!!!!!!!!

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  8. Valeu brother!!!

    Estamos aqui para servir.

    Abração

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  9. Pr. Rômulo,

    O senhor pode dizer seu email? Preciso mandar um texto para o senhor.

    miguellimasoares@gmail.com

    Abraços,
    Miguel

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