...uma questão de higiene.

Quem me conhece sabe que prefiro a proclamação ao invés do protesto. A razão é simples: o último acaba sendo uma “propaganda ao contrário”. Sabemos que são muitos os que promovem coisas escandalosas na esperança de que o protesto-propaganda os coloque na “pauta das rodinhas”.

Contudo, às vezes é difícil não protestar. Refiro-me ao vídeo de natal do famosíssimo grupo de comédia intitulado “Porta dos Fundos”. Se você quer desperdiçar alguns minutos de sua existência, é só assistir. Caso contrário, simplesmente declare: “Não vi e não gostei”. Se você é meu amigo e, por conseguinte, confia em mim, siga a segunda opção.

Para os que perderam seu tempo, vamos às colocações:

1.      Não há dúvidas históricas de que Jesus existiu e que foi morto em uma cruz. Quanto aos seus milagres e sua ressurreição, certamente isso não é consenso, e não é nosso objetivo aqui uma discussão desse calibre. Fiquemos com o que é senso comum: ele foi torturado e assassinado. Fato.

Não é estranho que, em um país marcado pela violência gratuita, um vídeo que zomba da morte de um inocente seja tomado com tanta naturalidade e, pior, tenha como objetivo o riso? Não é estranho vermos artistas, que vez por outra propagam discursos de tolerância, zombarem da morte de um inocente? Não seria curioso, por exemplo, um vídeo em que João Hélio, menino arrastado até a morte por um carro, fosse zombado? Não seria doentio zombar da morte de Tim Lopes, jornalista que foi torturado até a morte? Não seria bizarro fazer um vídeo onde a morte de Daniela Perez fosse usada para promover risadas? Por que com Jesus pode? Lembre-se, ele é uma figura histórica. Sua morte não é questionada nem mesmo por ateus. Por que com ele pode?

2.      Para justificar seus vídeos, um dos redatores do “Portas dos Fundos” declarou que tem como alvo os ricos e poderosos; que seu limite é nunca rir das minorias (e.g., pobres, negros). Afirma ainda que religião não é minoria; que todas são poderosas e tem dinheiro.

Não é uma declaração no mínimo esquisita vinda de alguém que vive de popularidade, patrocínio de grandes empresas e exige cachê que nenhum pobre pode pagar? Ao que tudo indica, para fazer parte desse grupo deve-se fazer voto de pobreza. O problema é que sabemos, na prática, onde esse discurso com inhaca comunista vai parar.

A declaração do redator parece pressupor que todos os religiosos e religiões são opressores e/ou exploradores. Sugiro ao nobre redator que abra sua casa para os desabrigados de uma tragédia; coisa que geralmente quem faz são as “religiões opressoras”. Sugiro ao redator, que parece se importar tanto com os pobres, a fazer dez por cento do que os opressores têm feito, fazem e farão pelos seus amados pobres. Sugiro ainda que o nobre redator abrigue em sua casa dependentes químicos como os opressores fazem. Ah, caso tenha problema com dinheiro, é simples: distribua com os pobres que você tanto ama.

Pois bem, voltando ao assunto, minha pergunta aqui é: o que Cristo tem haver com isso? Onde ele se encaixa? Nos poderosos ou nos ricos? Porque não brincar com os poderosos (tiranos) da época (os romanos)? O fato é que a morte e a tortura de um inocente (que no caso também era pobre) nunca deve ser motivo de piada. Para mim, rir do que se deve chorar é sinal de insensibilidade, loucura, maldade, crueldade e faz de tal pessoa alguém extremamente perigoso.

Um conselho para os redatores: caso queiram atingir a “opressão religiosa” ou “opressão dos poderosos”, escolham os alvos certos, porque, nesse vídeo, e em muitos outros, vocês erraram o alvo e foram extremamente infelizes. Agora, caso realmente vocês tiveram Jesus como alvo; bem, aí o caso de vocês é bem mais sério.


Quanto a mim, queria muito mandar o “Porta dos Fundos” para a “porta dos fundos” da minha casa. O problema é que coloco meu lixo lá. Como não encontrei lugar para eles, fiz o que faço com todo lixo não reciclável - dei descarga. É uma questão de higiene.

Perfil

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Rômulo Monteiro alcançou seu bacharel em Teologia (Seminário Batista do Cariri – Crato/CE) em 2001; concluiu seu mestrado em Estudos Bíblicos Exegéticos no Novo Testamento (Centro de Pós-graduação Andrew Jumper – São Paulo/SP) em 2014. De 2003 a 2015 ministrou várias disciplinas como grego bíblico e teologia bíblica em três seminários (SIBIMA, Seminário Bíblico Teológico do Ceará e Escola Charles Spurgeon). Hoje é professor do Instituto Aubrey Clark - Fortaleza/CE) e diretor do Instituto Bíblico Semear e Pastor da PIB de Aquiraz.-CE Casado com Franciane e pai de três filhos: Natanael, Heitor e Calebe.